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CBN Link para entrevista sobre a abertura das inscrições do Projeto Conexões 2010. http://cbn.globoradio.globo.com/programas/revista-cbn/2010/01/31/COMECAM-AS-INSCRICOES-PARA-A-4-EDICAO-DO-PROJETO-CONEXOES-VERSAO-NACIONAL-DE-PR.htm
Escrito por Tuna Serzedello às 21h01
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Do fundo do baú. Achei esse texto antigo e resolvi publicar. Teatro feito para adolescentes Os adolescentes não vão ao teatro porque os teatros não produzem peças para eles ou os Teatros não produzem peças para os adolescentes porque eles não vão ao teatro? O que se espera de um teatro para adolescentes? Acho que a mesma coisa que se espera de um teatro feito para adultos. Um teatro que ajude na discussão de temas importantes para aquele grupo social naquele momento histórico e que faça com que o publico saia da “zona de conforto” que ele tem em relação a certos temas. Um teatro provocante, fresco, novo, que se arrisque e sempre coloque tudo em risco a cada cena. Em arte não existe resposta exata, mas há uma vontade muito grande de acertar. Se os adolescentes gostam de andar em grupo, gostam de provocar, de contestar, de questionar, de se posicionar, então eles gostam de teatro e não sabem. Os adolescentes não são “infanto-juvenis”. Quer coisa pior do que ser “infanto” e “juvenil”? Teatro para adolescentes não precisa ser resumo de obras que caem nos vestibulares nem lições de moral como gravidez na adolescência, drogas ou orientação vocacional. O que eles querem é o poder se ser autênticos. Querem ser ouvidos, respeitados, considerados. Por isso tantos motivos para chamar a nossa atenção. Com roupas, com rasgos, com cores, com piercings, com tatoos, ipods, com drogas, com barulhos, com odores, com atitudes. Não querem ser compreendidos. Querem respeito. “Bate papo” não é um tratado sobre o adolescente na era digital, é um retrato. Uma fotografia deste momento em que vivemos, e pouco convivemos ao vivo. Um mundo de reality shows virtuais e pouco contato com a vida real “na real”. Uma vida mais teclada do que vivida. As experiências são acumuladas e colocadas em compartimentos de comunidades que eles colecionam no Orkut, assim como os amigos que servem como coleção de figurinhas. “Você já add fulano? Não? Pega no meu profile que eu tenho ele.” Essa “amizade” virtual de amigos de mentira que vivem no mundo da fantasia projetado no Youtube que reflete tudo o que acontece à volta deles em tempo real e para todo o mundo acaba distanciando os jovens do que são os reais amigos. Essa distancia do mundo vivido para o mundo teclado acaba por banalizar a própria vida. O suicídio é então um remédio para essa busca de uma experiência “real”. Só posso ter contato com a vida “real” a minha vida se eu puder tirá-la. E podendo tirá-la posso controlar os outros a minha volta que me oprimem e não me deixam expressar, pois a sua única forma de expressão é através de um teclado. A importância de fazer esse texto, nesse momento histórico para esse público adolescente de São Paulo é mostrar, como é mostrado no texto, que existe a possibilidade do encontro. O encontro pessoal, o toque, o olhar no olho ao vivo, o falar e não teclar está na chave que abre essa “caixa de pandora” adolescente libertando um objetivo real pela vida. Esse objetivo, descoberto na adolescência, vai nortear o adulto que seremos. Esse encontro necessário na adolescência vai dizer a sociedade que tipo de cidadão eu serei no futuro e como a cidade, e o país vão poder contar comigo. Essa saída de trás do monitor para encarar a vida e os problemas reais com o apoio dos pais e dos amigos reais vão acumular em você experiências do que você quer e pode transformar na sociedade. A montagem de “Bate Papo” quer influenciar os adolescentes a pensarem sobre esse encontro, quer mostrar a eles um retrato inteligente da sua própria geração para que eles possam se reconhecer, ou se estranhar e a partir daí ajudar na criação de sua própria identidade. Com o nosso “Bate Papo” pretendemos ainda discutir com os adultos, os pais dessa geração, os provedores da tecnologia para que eles possam discutir qual será o papel dos adultos nessa "geração copy e paste” e no que estamos ajudando a implantar neles esse chip de geração sem consciência. Sem o diálogo entre as gerações vamos criar que tipo de sociedade? O teatro é por excelência a casa do diálogo. O teatro existe para o diálogo e a maior parte de suas obras dramatúrgicas é baseada nele. Precisamos formar uma geração que goste de teatro, que vá ao teatro. Essa geração vai ser com certeza, muito mais aberta ao diálogo e muito mais questionadora e cidadã. Levar os adolescentes ao teatro é uma importante função social de artistas e Instituições preocupadas com um Brasil mais justo e solidário. O adolescente carrega em sai o gene da mudança. Só de olhar para um adolescente podemos ver que ele é a expressão máxima da mudança. Seu corpo está mudando, sua voz está se transformando, suas espinhas denotam que sua sexualidade está de formando, e o mais importante seu pensamento está tomando corpo. Juntando essa “expressão da transformação”, (o adolescente) com a “casa do diálogo”, (o teatro), vamos plantar uma sociedade muito mais interessante do que a que vivemos hoje. Os jovens de hoje só lêem na escola uma peça de teatro por determinação da lei dos vestibulares: “O Auto da barca do Inferno”. Nada contra Gil Vicente, mas um adolescente que nunca leu teatro, que não sabe da complexidade que é uma obra dramatúrgica que não tem as narrações precisas de uma obra literária, mas que exige uma deliciosa capacidade de imaginação, de projeção e de criatividade, afinal você só sabe o que os personagens estão dizendo e imagina o que eles estão fazendo! Esse exercício de criatividade somado ao diálogo e a transformação inerente parecem ser muito interessantes é isso o que queremos catalisar com essa montagem de “Bate Papo”. E quando começarmos a ter jovens que descubram no teatro uma expressão genuína de seus sentimentos e seus pensamentos, não precisaremos mais nos preocupar com as salas de teatro, não precisaremos mais do “incentivo” da meia-entrada, não precisaremos mais divulgar as peças feitas para eles.
Eles procurarão os teatros porque precisam deles para viver. Tuna Serzedello 26/09/2006
Escrito por Tuna Serzedello às 14h54
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Tortura Remunerada. Imagine que você está dentro de uma cabine, cercada de vidro por todos os lados. Acima de você uma câmera registrando seus movimentos. Você está sentado, imóvel e uniformizado. Das 22h30 às 2 da manhã as luzes são diminuídas, mas você permanece sentado. Não pode ler, ouvir música, falar ao celular, ir ao banheiro, ou mesmo desenhar, rabiscar um papel: olha a câmera aí! Essa é a rotina de quem trabalha na caixa de um estacionamento dos inúmeros shopping centers e centros comerciais que funcionam até tarde da noite. Como essas pessoas conseguem ter um mínimo de sanidade mental? Que remuneração justificaria essa tortura? Qual será a qualificação necessária para você ser uma múmia viva, observada pelas câmeras de segurança. Essas e outras dúvidas podem ser esclarecidas no site da empresa que mantém essas condições de trabalho, acessem: http://www.engepark.com.br/ Agora imaginem o batalhão de empregados de caixas de estacionamento de edifícios comerciais com o privilégio de estudarem nesses momentos de espera por movimento, entre o término da sessão de cinema das 22h e das 0h, seriam umas 4 horas de estudo, ou leitura por dia. Em uma semana um empregado leria "Os irmãos Karamázov" se quisesse. Ou ainda a Bíblia inteirinha. Quem assistiu a visão de futuro do filme "Wall-e" viu que as máquinas estariam cuidando e alienando os seres humanos. Pela nossa realidade presente, os humanos estarão sentados, emburrecidos e paralisados, enquanto as máquinas, descansam tranquilas em suas vagas de estacionamento. 
Carros Estacionados + Pessoas Estagnadas = você paga a conta. Socorro!
Escrito por Tuna Serzedello às 08h05
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Quem são essas pessoas, Jack? "As pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam."
Jack Kerouac
Escrito por Tuna Serzedello às 09h34
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Publicidade Infantil Não. Apóie esta causa. MANIFESTO pelo fim da publicidade e da comunicação mercadológica dirigida ao público infantil Em defesa dos diretos da infância, da Justiça e da construção de um futuro mais solidário e sustentável para a sociedade brasileira, pessoas, organizações e entidades abaixo assinadas reafirmam a importância da proteção da criança frente aos apelos mercadológicos e pedem o fim das mensagens publicitárias dirigidas ao público infantil. A criança é hipervulnerável. Ainda está em processo de desenvolvimento bio-físico e psíquico. Por isso, não possui a totalidade das habilidades necessárias para o desempenho de uma adequada interpretação crítica dos inúmeros apelos mercadológicos que lhe são especialmente dirigidos. Consideramos que a publicidade de produtos e serviços dirigidos à criança deveria ser voltada aos seus pais ou responsáveis, estes sim, com condições muito mais favoráveis de análise e discernimento. Acreditamos que a utilização da criança como meio para a venda de qualquer produto ou serviço constitui prática antiética e abusiva, principalmente quando se sabe que 27 milhões de crianças brasileiras vivem em condição de miséria e dificilmente têm atendidos os desejos despertados pelo marketing. A publicidade voltada à criança contribui para a disseminação de valores materialistas e para o aumento de problemas sociais como a obesidade infantil, erotização precoce, estresse familiar, violência pela apropriação indevida de produtos caros e alcoolismo precoce. Acreditamos que o fim da publicidade dirigida ao público infantil será um marco importante na história de um país que quer honrar suas crianças. Por tudo isso, pedimos, respeitosamente, àqueles que representam os Poderes da Nação que se comprometam com a infância brasileira e efetivamente promovam o fim da publicidade e da comunicação mercadológica voltada ao público menor de 12 anos de idade. Assine o manifesto aqui: http://publicidadeinfantilnao.org.br
Escrito por Tuna Serzedello às 14h21
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Manifestação. 
Participei hoje (18/01/10) da Manifestação de apoio a Lei de Fomento ao Teatro na Cidade de São Paulo e fiquei com esperança. A classe teatral unida marchando junta, gritando em uníssono, apitando, exigindo. Grupos importantes da cena paulista estavam representados, o ano começou bem. Não precisamos concordar artisticamente para nos unir politicamente. Somos uma classe que luta pelo direito à expressão que não é, e nunca será, unânime e equânime. Queremos lutar pelo direito à expressão de todos os grupos, núcleos e proponentes. Mas, como diz a canção, aquilo que une é o que separa. Ao final da censura, Plínio Marcos, uma das principais vozes contrárias à ela alertava para o perigo de o Estado financiar o teatro, segundo ele manteríamos a censura, com a diferença de que eles não diriam o que não fazer mas o que fazer, e ainda seriam os patrocinadores. Ele defendia que o teatro deveria ser sustentado pela bilheteria, o público, mantém ou tira o espetáculo de cartaz de acordo com sua vontade. E hoje, em tempos de patrocínio privado, editais públicos e público escasso, existe censura? Mais sobre o a manifestação de hoje no site da Cooperativa Paulista de Teatro: http://www.cooperativadeteatro.com.br/newsDetails.do?id=968
Escrito por Tuna Serzedello às 23h00
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Sobre o jogo no teatro. 
Trecho extraído do livro "Jogar, representar" de Jean-Pierre Ryngaert (pags. 53 e 54): "O jogo desliza nos espaços ínfimos entre dois atores, dois jogadores; ele existe, de maneira precária, apenas no movimento que o faz nascer, no jorro do instante que possibilita o seu surgimento...Assi, frequentemente se diz de modo negativo que "tem jogo" quando um espaço existente entre duas peças de um mecanismo autoriza movimentos não previstos inicialmente, que não asseguram mais o funcionamento perfeito da máquina. Com o tempo, esses movimentos correm o risco de desgastar perigosamente as peças do mecanismo cuja adequação fica cada vez menos satisfatória. No entanto propõe-se "dar jogo" quando as peças ajustadas de maneira excessivamente apertada apresentam risco de travar o movimento, bloqueando o mecanismo. Do mesmo modo, dizemos que "há jogo" quando numa improvisação e/ou numa representação, os jogadores, mesmo assumindo o que está previsto na encenação ou no roteiro dispõem de espaço suficiente entre as engrenagens para que a invenção e o prazer possam penetrar, assim dando a impressão de reinventar o movimento no próprio movimento em que o efetuam. Tradicionalmente os atores, em sua maioria, afirmam que nunca refazem exatamente a mesma coisa, noite após noite, e que levam mais ou menos em consideração, de maneira inconsciente, as reações do público ou a atmosfera do palco. De fato, existe uma tendência a recorrer às facilidades da profissão, a usar e abusar de artimanhas que minimizam a dimensão de jogo, a reduzir o leve risco que correm os parceiros que se permitem uma determinada flexibilidade indispensável ao jogo. A representação moderna, ao contrário, confessa sua inconstância e sua fragilidade. A cisão e a falha, as oscilações da escrita, o palco de repente vazio, dramaturgias de ruptura e da lacuna questionam um tipo de representação que não esperaria mais nada do ator. A capacidade de jogo de um indivíduo se define em sua aptidão de levar em conta o movimento em curso e assumir totalmente a sua presença real a cada instante da representação, sem memória aparente daquilo que se passou antes e sem antecipação visível do que irá ocorrer no instante seguinte. Essa capacidade se apóia na disponibilidade e no potencial de reação a qualquer modificação, ainda que ligeira, da situação. Ela não abrange a totalidade da arte do ator mas é seu componente fundamental." Concordo com isso. É isso o que me fascina em estar no palco. Bons exemplos de atores jogando (e arriscando) em cena podem ser vistos em algumas peças em cartaz em SP: "Anatomia Frozen", "In On It", "Rainhas(s)" - confira.
Escrito por Tuna Serzedello às 00h17
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Citação. Do diretor de teatro, tentando definir o que é teatro, interpretado por Philip Seymour Hoffman no filme Sinédoque, Nova York. "Teatro é aquilo que o homem sente quando golpeiam o seu maxilar." 
Escrito por Tuna Serzedello às 10h33
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Bendito Oswaldo Mendes. Muito obrigado por ter dedicado anos da sua vida para pesquisar a do grande dramaturgo Plínio Marcos e ajudar a melhorar a minha. A biografia que você preparou sobre ele me inspirou a ser diferente, conviver de perto esses dias em que devorei o livro “Bendito Maldito” me deixaram muito contente e motivado. 
A paixão do Plínio pela profissão e a maneira com que você testemunhou a sua vida com respeito, proximidade e delicadeza foram um exemplo duplo. O primeiro, do próprio biografado de sua história única. A segundo do biógrafo que conduz a nossa viagem pela vida do Plínio de uma maneira muito gostosa, pena que ele morre no final do livro. Fiquei muito emocionado com a leitura, principalmente ao lembrar quantas vezes vi o Plínio pela cidade, do livro que tenho autografado por ele, com a promessa de que “morreria logo para valorizar o autografo”, de uma palestra em 1996 na Universidade Mackenzie, organizada pelo pessoal da Engenharia (?) em que apareceram somente 3 pessoas (em um auditório de mil lugares), e que ele, já tendo recebido pela palestra, sentou com esses 3 numa mesa do bar “Azaléia” na Rua Maria Antonia e nos brindou com um papo inesquecível sobre teatro, tarô e a vida. Com certeza o seu livro vai dar uma vida ainda mais longa ao Plínio Marcos. Ao fechar seu livro já saí atrás de ler mais escritos dele. Aos outros apaixonados pela sua obra além do livro indico o site oficial dele: http://www.pliniomarcos.com 
(esse manuscrito eu reproduzi do site, se quiser ler na íntegra é só acessar)
Escrito por Tuna Serzedello às 00h31
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Escola Livre de Teatro. Anote aí e corre para fazer sua inscrição. 
Mais informações: http://escolalivredeteatro.blogspot.com/
Escrito por Tuna Serzedello às 00h10
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Ano novo? 
O ano novo começa as manchetes: “Chuvas matam 19 no Rio” “Empresários vão priorizar doações ocultas nas eleições” “Inaugurações dominam ano eleitoral” Não há nada de novo neste ano. Anote aí o calendário do que vamos viver neste ano: Janeiro – Inundações e reality show Fevereiro – Carnaval e bundas (quem será a maior plástica do ano) Março – Inaugurações e escândalos politicos (esse é em que tentarão acabar com algumas candidaturas) Abril – Convenções dos partidos e futebol Maio – Futebol Junho – Futebol Julho – Futebol De agosto a dezembro você já sabe, tem 1o e 2o turno das eleições, obras da próxima copa, comparações da África do Sul e do Brasil… 
Quem vai fazer a diferença em 2010 somos nós. Eu e você. As pessoas, seus projetos pessoais suas vontades e compromissos com os outros. A agenda “positiva” para o país somos nós quem vamos escrever. Não dá para esperar governos, mídia, partidos ou outros grupos que tomem os papéis que nos cabem. “Power to the people”. A mensagem é velha, mas nunca as pessoas tiveram tanto poder como agora. Todos (ou boa parte) podem ter seu blog, seu perfil no Twitter, no Facebook. Mas, esse poder, por enquanto só serviu para dividir. Não vai existir “alguém” que vai aparecer para resolver as questões. O que hoje deixarmos embaixo do tapete vai nos fazer tropeçar no futuro. 2009 nos deu muitas esperanças, quase todas se frustaram antes do término do ano. Um bom exemplo foi a eleição do Obama e o seu recente discurso recebendo o Nobel da Paz. Eu pensava que: “yes we can”. Ainda penso. Minha esperança não está nele. Está em você.
Feliz ano novo.
Escrito por Tuna Serzedello às 00h03
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Die Welle 
Assisti ao filme alemão “A Onda”, talvez um pouco fora de hora, mas resolvi comentar pois tem muita relação com o trabalho de montar peças para o público adolescente e ensinar teatro para eles. Numa cena do filme um adolescente fala para o outro que a única causa desta geração é a diversão. Não há mais nenhuma causa. Parece a fala da Eva na peça BATE PAPO: “seria tão legal lutar por alguma coisa, ter uma causa.” No filme a causa aparece, “a onda” é um projeto desenvolvido por um professor numa tentativa de ensinar o que é autocracia de uma maneira diferente. Em pedagogia diz-se que o aluno aprende mais na prática do que na teoria. A experiência pedagógica encontra uma geração com vontade de ter uma causa e acaba usando a matéria como estopim para um final catastrófico. A reflexão que me faz escrever esse post não é sobre o absurdo do nazismo ou das ditaduras, isso já foi muito bem discorrido a respeito do filme. O que me chamou a atenção é aonde estão os professores que querem criar uma “onda” como esta ensinando matemática, química, geografia, ética? Se nas aulas de teatro conseguimos criar uma “marola” é porque os alunos agem, dialogam, se comunicam, improvisam e são valorizados nas suas individualidades. No filme a experiência sai do controle do professor, mas a pergunta é quando se ensina, o mestre sabe mesmo até onde o aluno levará aquele conhecimento adquirido? Porque algumas coisas, aulas, saberes, te marcaram na escola e outras não? Qual é a formação necessária para ser um professor? Quem ensina o que cada geração pensa? Na peça DNA um grupo de jovens comete um crime e tenta encobri-lo, e para isso se unem, a causa é se livrar da lei, sair pela tangente, não tem nenhum professor ou adulto para ensinar nada, eles já sabem tudo. (Sabem?) Aprenderam no Google, na TV, ou nas salas de bate papo. Em CIDADANIA o professor aparece como um super-herói, imagem também criada nas autocráticas aulas do professor do filme, ele é a personalidade a ser cultuada. O da peça escuta do jovem Tom, protagonista da peça, o pensamento que talvez explique tudo: “Você era infeliz porque não tinha opções. Eu sou infeliz porque tenho muitas opções. A vida é uma bosta.” Muitas opções paralisam. Ter alguém que diga o que fazer simplifica as coisas, você não tem que pensar nada. Precisamos de uma geração que saiba pensar. Precisamos de mais filmes como esse. Assista. 
Escrito por Tuna Serzedello às 17h53
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Amigos,
"Uma Pilha de Pratos Na Cozinha", com texto e direção do Mário Bortolotto,
é uma das peças mais lindas e marcantes que nós, do elenco, temos a honra de fazer parte.
Muita gente não viu, e muita gente quer ver de novo.
A gente vai se reunir e montar a peça com apresentação única nesta próxima quinta-feira,
dia 17 de dezembro, 21h00, lá no Satyros 1.
Se houver quorum, a gente faz uma segunda sessão.
Toda a bilheteria arrecadada vai pra dar uma força pro Marião.
Ajudem-nos a divulgar, ok?
Abs,
Otávio Martins 
Tá divulgado Otávio! Parabéns pela iniciativa.
Escrito por Tuna Serzedello às 15h10
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Beth Néspoli. O texto certo na hora certa. Mario Bortolotto e violência: uma falsa associação Título do blog 'Atire no dramaturgo' é homenagem ao livro 'Atire no Pianista', de David Goodis
Beth Néspoli, de O Estado de S. Paulo A inquietação mais intensa diz respeito ao equívoco envolvendo o nome do blog de Bortolotto, intitulado Atire no Dramaturgo. Muitos se preocuparam em esclarecer a origem desse batismo, homenagem ao livro Atire no Pianista, do David Goodis. Trata-se de um romance policial que, por sua vez, remete ao cartaz NÃO ATIRE NO PIANISTA que podia ser lido nos saloons do Velho Oeste. Outra fonte de equívoco talvez tenha vindo das imagens publicadas no blog de Bortolotto da peça Brutal, em cartaz no Espaço dos Parlapatões na madrugada do assalto. Sobretudo uma imagem, respingada de sangue, da atriz Maria Manoella. Mulher do ilustrador Carcarah, que também foi baleado, ela enfatiza: "a peça é um manifesto contra a violência." Ainda assim, o tom de Brutal é quase exceção na vasta obra desse dramaturgo. Os personagens de Bortolotto costumam portar mais copos do que armas; há mais outsiders do que bandidos. Editadas, são 19 peças, em três livros de coletâneas. Quem se der o trabalho de ler verá que mesmo os bandidos, em sua maioria, como no velho oeste, orgulham-se de um código de honra no qual não cabe o ataque covarde. Há quem compare Bortolotto ao Plínio Marcos, mas se há algo em comum, é apenas a compaixão pelo ser humano desgarrado. E só. São universos diferentes. Os personagens de Plínio Marcos lutam para se integrar. Gostariam de ter família, casa e carro, mas têm um impedimento de origem: a pobreza extrema. Por isso são trágicos, nascem marcados por um destino imutável. Querô, filho de uma prostituta que se matara tomando querosene e é criado num bordel, não pode conquistar nada na vida. Seu meio ambiente e seus recursos não permitem, ainda que ele tente. Já os protagonistas de Bortolotto tornam-se marginais - no sentido de estar à margem, na periferia do sistema econômico - por conta de sua escala de valores. Eles recusam a ideia da conquista de um carro 4x4, roupas de grife, casa na praia e celular último modelo como sinônimo de sucesso. São marginais porque preferem a liberdade de não produzir em série numa esteira industrial, coisa antiga, ou de "serem produzidos em série", expressão talvez mais pertinente ao jovem trabalhador na atual sociedade de consumo digital. Uma dramaturgia assim nada tem a ver com o estímulo à violência, pelo contrário. Hoje em dia mata-se e morre-se por um "vai passando o celular" como disse o assaltante que atirou em Bortolotto, no testemunho de seu amigo Carcarah, também baleado. E Bortolotto, que não dá a mínima por um celular, reagiu, provavelmente pelos amigos. Fiel ao que prega, ele não tem muitos bens materiais, apenas uma quitinete no centro da cidade, comprada com os direitos autorais pagos pelo ator Raul Cortez por duas de suas peças, seus livros e sua obra, essa última um bem 'apenas' simbólico, imaterial. Tem muitos amigos e de boa cepa. "Cuidado com a vaidade da dor", foi uma frase ouvida pela reportagem do Estado no sábado, na Santa Casa de Misericórdia. Havia ali um acordo tácito de não se gravar entrevistas para a televisão. Assim, evitou-se o espetáculo da comiseração e da solidariedade forçada. Carcarah, ilustrador, autor dos desenhos de capa de dois livros de Bortolotto, um deles Atire no Dramaturgo, compilação de textos do blog, hesitou em dar entrevista ao Estado depois de ter alta do hospital. "Pode dar a impressão de que estou querendo aparecer. Quem tem de falar é ele, quando estiver bom." Bortolotto pode não ter muito a esclarecer, mas vai saber que os valores de seu teatro têm ressonância. No mínimo, entre seus amigos, que não são poucos.
Escrito por Tuna Serzedello às 22h56
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