Diário da Cia. Arthur-Arnaldo por Tuna Serzedello
   
 
 

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Escrito por Tuna Serzedello às 11h45
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BATE PAPO na Revista da Folha.

Saiu neste domingo (05/10/2008) um matéria muito bacana sobre cyberbullyng e cita o espetáculo usando duas fotos da peça como ilustração.

Segue a matéria:

O que as escolas fazem ou deixam de fazer quando Orkut e blogs viram armas para agredir colegas de classe e professores

Beatriz Toledo/Folha Imagem
"Fui bastante zoado e me sentia excluído
Taiguara Chagas, 20, ator"


massacre virtual

por Rafael Balsemão

Alice* tinha 17 anos e cursava o segundo ano do ensino médio no Colégio Faap, em Higienópolis, zona oeste. Estava há dois anos na escola quando fez uma descoberta chocante. Haviam sido criadas anonimamente duas comunidades no Orkut contra ela: "Eu odeio a tosca da Alice", destinada, segundo descrição da página, "a todos que odeiam essa menina que se acha!", e uma outra com referências preconceituosas ao Estado de origem de sua mãe.

Diante do teor dos ataques, a família da estudante achou melhor tirá-la do colégio. Na nova escola, descobriu que a história tinha se disseminado. A solução foi mandar Alice para fora do país, em um programa de intercâmbio, enquanto eram tomadas providências legais para a retirada das páginas do ar e o rastreamento do autor ou dos autores.

Alice estava no centro de um caso de "bullying" virtual ou "ciberbullying", fenômeno que transfere para a internet as agressões típicas que estudantes mais frágeis ou mais visados sofrem dentro dos muros da escola. Enquanto o clássico "bullying" acontece na sala de aula, no playground e nos arredores do colégio, a versão no ciberespaço transcende os limites da instituição de ensino.

Hostilidades sempre existiram no ambiente escolar, mas elas se potencializam na rede mundial de computadores, diante da facilidade atual de criar páginas e comunidades na internet. Para humilhar colegas de escola, os meios utilizados vão desde e-mails e mensagens de celular injuriosas, passando por fotografias digitais e montagens degradantes, a blogs com mensagens ofensivas. Os ataques também tomam forma em vídeos humilhantes e ofensas em salas de bate-papo.

"No mundo real, a agressão tem começo, meio e fim. Na internet, ela não acaba, fica aquele fantasma", compara Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor de prevenção da SaferNet Brasil, ONG cujo foco é desenvolver trabalhos contra a pornografia infantil na web.

O resultado preliminar de uma enquete sobre segurança na internet realizada no site da ONG (www.safernet.org.br) assusta: 46% de 510 crianças e adolescentes que responderam ao questionário a?rmam que foram vítimas de agressões pela internet ao menos uma vez; 34,8% dizem que foram agredidos mais de duas vezes. "Não é apenas uma brincadeirinha. As conseqüências são graves e prejudicam demais as vítimas", ressalta Rodrigo. Dos participantes do levantamento, 31% são de São Paulo, Estado onde, segundo a SaferNet, há o maior número de relatos de "ciberbullying".

Na delegacia
Pais e educadores vão aprendendo a lidar com o problema. Em São Paulo, as escolas engatinham ao se deparar com o fenômeno. Os ataques a Alice começaram em 2005, mesmo ano em que a mãe da jovem acionou a Justiça. "A adolescente estava completamente abalada quando chegou ao escritório", recorda o advogado contratado pela família da vítima, José Luis de Oliveira Lima, 42.

O processo, que só terminou em julho deste ano, é exemplar, ao tratar agressões pesadas como caso de polícia. "Foi uma guerra. Não existe regulamentação civil que coloque ordem na casa", diz José Luis. Todos os que postaram mensagens ofensivas nas duas comunidades contra a estudante foram chamados perante o delegado e/ou o juiz. Diante da prova -as páginas copiadas e anexadas ao processo-, admitiram o "ato infracional".

A polícia conseguiu chegar ao computador que originou as comunidades. Era de uma colega de classe de Alice. A única relação entre as duas era o fato de a garota insultada na internet ser a melhor amiga do então namorado da autora das páginas. Procurada pela Revista, a direção do Colégio Faap não quis se manifestar.

Diante dos pais e advogados, os estudantes levaram mais que um puxão de orelha. Foram tratados como infratores. Mas, como não tinham antecedentes, a eles foi concedida remissão, espécie de perdão judicial.

A principal dificuldade foi descobrir o autor da comunidade no Orkut, do Google, processo que levou quase um ano. "A empresa tem o hábito de não colaborar diretamente com a gente", afirma José Mariano de Araújo Filho, titular da Delegacia de Meios Eletrônicos. É lá que os casos mais complexos são investigados. Segundo Mariano, somente com ordem judicial o Google tem fornecido mais informações sobre um usuário do Orkut que esteja envolvido em algum crime. "Não podemos pré-julgar um comportamento", diz Félix Ximenes, 44, diretor de comunicação do Google do Brasil. "O juiz é nosso fiel da balança."

Também vítima de agressões via web, a policial militar Nair Caliguere, 54, teve dificuldade para tomar providências diante das humilhações a que ela e a filha foram submetidas. Só na terceira tentativa, conseguiu fazer um boletim de ocorrência contra o "Blog das Porcas", mantido por alunas do Colégio Renovação, na zona sul, em 2003. Há cinco anos, o problema batia pela primeira vez nos muros da escola.

Na página, seis estudantes atacavam professores e outras alunas. Era especialmente virulento contra Mariana Caliguere, hoje com 22 anos e cadete da Polícia Militar, que na época era modelo. "O mais pesado foi elas falarem da minha mãe", lembra a jovem, jocosamente tratada no blog como garota-propaganda de uma marca de esponja de lã de aço.

Houve também racismo envolvendo uma colega negra. Aos 17 anos, Ellen Barbosa enfrentou o deboche das "porcas", como ficaram conhecidas as blogueiras na escola, em relação a seu cabelo e modo de vestir. "Era nova no colégio. Não tinha amigas e fiquei com medo", recorda-se Ellen.

O blog era popular pelo tom de diário com que as integrantes falavam de bebedeiras e até de detalhes da vida sexual. Quando começaram os abusos em relação a terceiros, o que era engraçado ficou sério. Os pais das "porcas" foram chamados ao colégio.

Três das seis jovens foram "convidadas" a deixar a escola, e o blog foi apagado. O mau exemplo vinha de casa. "A gente percebe que o racismo vem da família. Os filhos copiam os valores dos pais", afirma Cláudia Baratella, 39, vice-diretora do Colégio Renovação.

A educadora acabou especialista em contornar situações que envolvem agressões e internet. Um dos casos mais surpreendentes foi o de um grupo que criou uma comunidade desejando a morte de um jovem do terceiro ano do ensino médio em 2006.

Os pais do mentor da página foram surpreendidos em casa com uma notificação policial. A mãe do adolescente insultado, investigadora de polícia, conseguiu descobrir o computador em que foi criada a comunidade e foi atrás dos envolvidos. "Toda a repercussão que a história teve deixou o agredido mais corajoso", diz Cláudia. "Já o agressor nunca imaginou que pudesse ser descoberto."

Impunidade
A sensação de que não vai ser descoberto e de impunidade leva adolescentes a criarem páginas e a dispararem contra os colegas sem medo. "O jovem não pára para pensar que a internet está no mundo. A conseqüência dos crimes contra a honra, de calúnia e injúria na internet é desproporcional ao dano", afirma Patricia Peck Pinheiro, 33, advogada especializada em direito digital. "Há, inclusive, aumento de pena, pois a pessoa foi exposta no mundo."

Patricia foi uma das responsáveis em formular uma cartilha para o Colégio Bandeirantes com orientações sobre a utilização da internet. "Boas Práticas Legais no Uso da Tecnologia Dentro e Fora da Sala de Aula" pode ser solicitada gratuitamente no site www.patriciapeck.com.br. "Percebemos uma atitude pró-ativa dos estudantes, que começaram a alertar os amigos para tomar mais cuidado", constata Cristiana Assumpção, 44, coordenadora de tecnologia de educação da escola.

O colégio São Luís também possui um projeto que visa coibir a prática do "bullying". Quem encabeça a iniciativa é a professora de português Roberta Ramos, 38. Depois de aplicar um questionário com os estudantes para ver quem se sentia vítima de "bullying", começou um trabalho de conscientização.

Além do blog da professora (www.auladaroberta.blogspot.com), os adolescentes estão começando a reunir material para criar uma página na web contra a prática. Está em gestação a brigada "antibullying", formada por 12 alunos voluntários. "Eles se dividem em grupos e visitam as turmas, oferecendo-se para dar maiores esclarecimentos no recreio", explica Roberta.

Fórum "antibullying "
O blog da gaúcha Daniele Vuoto, 22, é outra fonte de consulta (http://nomorebullying.blig.ig.com.br). A estudante de pedagogia, que foi vítima de "bullying" tradicional em três das quatro escolas pelas quais passou no Rio Grande do Sul, hoje ajuda pessoas nas mesmas condições.

"O que mais me machucava era me sentir sozinha em escolas enormes, onde todos viam o que acontecia e ninguém fazia nada", diz Daniele, que passou a ser o alvo por defender alunos que eram ridicularizados. "Logo, começaram a apontar defeitos em mim: muito branca, magra, notas altas." No auge de uma depressão por não ser aceita, a jovem tentou acabar com a própria vida.

A crueldade por parte da turma pode gerar diferentes reações. "As conseqüências são problemas de aprendizagem, reprovação escolar, isolamento e exclusão social, depressão e até mesmo suicídio", enumera Cleo Fante, pedagoga pioneira nos estudos sobre o "bullying" escolar no Brasil.

Ela alerta para outro fenômeno: o surgimento dos "bullycidas", pessoas que incentivam os que sofrem "bullying" a praticar suicídio. "É algo muito recente e difícil de descobrir."

O estímulo ao suicídio virou tema de peça de teatro. "Bate Papo", com roteiro do irlandês Enda Walsh, ficou em cartaz na capital paulista durante um ano (até o último domingo) e deve voltar aos palcos paulistanos no começo de 2009.

Na obra, seis adolescentes teclam na internet sobre Harry Potter, Britney Spears e suicídio. Um deles, deprimido, interpretado por Taiguara Chagas, 20, é virtualmente encorajado por outros jovens, todos com 16 anos, a se matar.

Vítima na escola, o ator se inspirou na própria história para encarnar o personagem. Ruivo, ele era alvo de chacota por causa do cabelo. "Fui bastante zoado e me sentia excluído", recorda.

Superação
É como se sentia V.*, da escola Projeto Vida, na zona norte. No ano passado, após uma briga durante a realização de um trabalho, a aluna começou a receber bilhetinhos com insultos da então amiga e colega de classe CG*. Teve até ameaça de agressão física. No começo deste ano, as duas foram colocadas em turmas separadas. As advertências da orientadora educacional também não intimidaram a agressora. Em maio, veio a descoberta de que os xingamentos e chacotas haviam migrado para o ambiente virtual.

Em seu blog, CG trocou o choro falso diante da orientadora pelo deboche. "Quando vi a página, fiquei com muita vontade de chorar. Depois, com muito a raiva", recorda V., que era representada por uma bonequinha que explodia. "Era muita crueldade", revolta-se a mãe da adolescente.

O mesmo blog que atacava V. foi usado como arma pelos pais da menina para reagir. Com o auxílio de um advogado, fizeram chegar até a escola uma notificação extrajudicial pedindo providências, entre elas, a retirada dos textos do blog que faziam referência à filha.

A diretora pedagógica, Mônica Padroni, 45, assumiu a condução do caso. Chamou CG novamente para conversar. "O que a deixou mais abalada foi a possibilidade de seus pais serem processados", diz. Foi só nessa hora que a agressora entendeu a proporção dos seus atos. Quis se desculpar. A diretora sugeriu que CG escrevesse uma carta. "Nunca pensei que ela pediria desculpas", afirma V., hoje com 13 anos.

A vítima até tentou mandar uma reposta por escrito para a ex-amiga. Não conseguiu. O que sente em relação a tudo o que passou ainda não pode ser expresso em palavras. As duas estudantes aprenderam uma lição. A agressora hoje sabe que destratar alguém pela internet tem conseqüência. A vítima descobriu que é difícil esquecer.


* Os nomes foram trocados ou omitidos a pedido das vítimas e dos familiares

Colaborou Ricardo Sangiovanni

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf0510200806.htm

 



Escrito por Tuna Serzedello às 10h04
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Notícias de viagem.

Foi muito legal nossa passagem por São José do Rio Preto.

Segue a matéria publicada no Diário da Região com entrevista com a diretora Soledad Yunge:

Sesc
Espetáculo infantil fala sobre a morte
São José do Rio Preto, 5 de outubro de 2008

  Divulgação  
“Zé Mané, Primazé e Outro Zé”, da Companhia Falbalá, hoje, no Sesc

Francine Moreno

00:52 - Neste domingo, a morte espera você no teatro do Sesc Rio Preto. Mas é uma morte diferente, recheada de humor. O espetáculo infantil “Zé Mané, Primazé e Outro Zé”, da Cia. Falbalá, não pretende em nenhum momento deixar as crianças com medo, e sim tirar proveito deste tema tão confuso, de uma forma bem tranqüila e engraçada. Baseado nos contos populares sobre a figura da morte, o espetáculo é dividido em três histórias “A Morte Madrinha”, “A Terra Onde não se Morre Nunca” e “A Morte Presa na Goiabeira”. A idéia veio de um artigo da psicóloga e consultora educacional Rosely Sayão sobre a dificuldade que as pessoas têm em falar sobre a morte com as crianças e da importância que isso tem na infância.

A diretora da peça, Soledad Yunge, explica que apesar da morte ser um tema pesado e que pode assustar, a peça não retrata a questão da perda ou dor, mais sim a morte como algo que faz parte do fluxo da vida. “É uma peça para toda família, onde se abre espaço para que os pais falem sobre a morte com humor e facilidade.”Zé Mané, Primazé e Outro Zé” conta a história destes três Zés e as peripécias desse grupo que tenta enrolar a morte para ganhar mais um tempo antes de partir. O primeiro Zé, o Mané, vira afilhado da morte e faz de tudo para enganá-la. Já Primazé (ou Priscila Maria José) procura a terra onde não se morre nunca. O outro Zé, Proeza, arruma confusão não só com a morte, mas também com o Diabo e a mulher, dona Capeta. Dá dó do trio do mal. Escrita por Tuna Serzedello, a peça é diversão garantida para maiores de cinco anos.

Serviço:
Espetáculo “Zé Mané, Primazé e Outro Zé”, hoje, às 16h, no Sesc. Informações (17) 3216-9300.
 
 


Escrito por Tuna Serzedello às 10h00
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