Limbo.
Esse post é portavoz de várias produções em cartaz na cidade. Existe um lugar em que as produções em cartaz simplesmente não são consideradas pelos Guias Oficiais dos jornais da cidade. Guia da Folha, Guia do Estado, Guia da VejaSP, Guia do JT - são semanais e ditam quais são as estréias, reestréias e espetáculos recomendados em SP. Por falta de espaço os editores adotam um "rodízio", em que determinadas produções não são publicadas nos guias daquela semana, e para os leitores daquele jornal o espetáculo simplesmente não existe! No caso da temporada do Repertório Jovem Arthur-Arnaldo no Teatro Cultura Inglesa-Pinheiros, o "rodízio"valeu pela temporada, os guias escolheram não publicar nenhuma vez as peças CIDADANIA, BATE PAPO e DNA. Quem sabe na próxima temporada... Isso porque Bate Papo foi vencedor do Prêmio Funarte Miryam Muniz, Cidadania venceu o Prêmio FEMSA de melhor ator e DNA tem 5 indicações ao mesmo prêmio em 2009, imcluindo melhor espetáculo. Será que ninguém tem interesse em assistir a essas peças? Quem decide se o leitor deve ou não saber que elas existem é o diagramador dos guias. A vida cultural da cidade é definida por eles? Quem são eles? Devemos deixar de ler jornal? Independência ou morte? Em uma cidade em que existe rodízio de carros não pode existir um rodízio cultural. Se meu carro não pode rodar eu posso ir ao teatro, mas se eu não sei se existe uma peça em cartaz ao meu lado fica mais difícil. E se rodiziarmos nossa leitura desses veículos, ao invés de comprar jornal todos os dias, vamos rodiziar, só compre nos dias ímpares. Isso sem contar nas produções que não estão em cartaz nos bairros centrais da cidade, dificilmente uma estréia em um bairro será divulgada. O triste é pensar que para conseguir colocar um espetáculo em cartaz é necessário pagar impostos, reunir elenco, ensaiar meses a fio, escrever, traduzir um texto, criar e produzir cenários, figurinos, trilha sonora. Conseguir pauta em um teatro, afinar luz, comprar gelatinas, conviver com outras produções, ter um operador de som e luz, bilheteiro, pagar direitos autorais, e (com ou sem patrocíinio_na maioria das vezes sem...) apresentar a peça. Detalhe. Sem sair publicado em nenhum dos "guias mais completos" da cidade como fazer com que as pessoas saibam o que você se preparou tanto para apresentar? Como resolver o problema de espaço nos guias da cidade? Temos duas opções. Diminuir a oferta cultural da cidade ou ampliar as páginas dos guias. Eu não pretendo deixar de fazer teatro.
Escrito por Tuna Serzedello às 23h20
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