Diário da Cia. Arthur-Arnaldo por Tuna Serzedello
   
 
 

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‘Mártir’ provoca a juventude
sobre intolerância atual

Dramaturgia explosiva de autor alemão é trunfo da nova montagem da Cia Arthur-Arnaldo,
há dez anos especializada em teatro para e sobre jovens

martir cia arthur arnaldo 1 

Dib Carneiro Neto
8 de dezembro de 2017

Em momentos de crise social e política, o que se costuma esperar do teatro é que contribua para pensamentos e reflexões, como espelho de nossas mazelas e feridas mais prementes. Vivemos um tempo assim. Redes sociais polarizadas, parente brigando com parente, intolerâncias generalizadas, manipulações maniqueístas, ondas de conservadorismo retrógrado – socorro, parem o mundo que eu quero descer!

Eis que um grupo paulistano, Cia Arthur-Arnaldo, há dez anos especializado em espetáculos prioritariamente voltados para o público jovem, sempre com temáticas relacionadas a essa fase conturbada da adolescência e a descoberta do mundo adulto (DNA, Rolê, Coro dos Maus Alunos, Os Pés Murchos X Os Cabeças de Bagre, Feizbuk, Cidadania, Bate Papo), nos brinda neste final de ano com a montagem de Mártir, texto potente de Marius Von Mayenburg (brilhantemente traduzido por Christine Röhrig), um dos principais nomes do teatro alemão contemporâneo.

 

leia na íntegra a crítica aqui: http://www.pecinhaeavovozinha.com.br/martir/



Escrito por Tuna Serzedello às 12h48
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‘Mártir’ provoca a juventude
sobre intolerância atual

Dramaturgia explosiva de autor alemão é trunfo da nova montagem da Cia Arthur-Arnaldo,
há dez anos especializada em teatro para e sobre jovens

martir cia arthur arnaldo 1 

Dib Carneiro Neto
8 de dezembro de 2017

Em momentos de crise social e política, o que se costuma esperar do teatro é que contribua para pensamentos e reflexões, como espelho de nossas mazelas e feridas mais prementes. Vivemos um tempo assim. Redes sociais polarizadas, parente brigando com parente, intolerâncias generalizadas, manipulações maniqueístas, ondas de conservadorismo retrógrado – socorro, parem o mundo que eu quero descer!

Eis que um grupo paulistano, Cia Arthur-Arnaldo, há dez anos especializado em espetáculos prioritariamente voltados para o público jovem, sempre com temáticas relacionadas a essa fase conturbada da adolescência e a descoberta do mundo adulto (DNA, Rolê, Coro dos Maus Alunos, Os Pés Murchos X Os Cabeças de Bagre, Feizbuk, Cidadania, Bate Papo), nos brinda neste final de ano com a montagem de Mártir, texto potente de Marius Von Mayenburg (brilhantemente traduzido por Christine Röhrig), um dos principais nomes do teatro alemão contemporâneo.

martir cia arthur arnaldo 5

Mesmo escrito na Alemanha em 2012, Mártir fala muito sobre o estado de ânimo do Brasil de hoje, e nos acerta na boca do estômago. É teatro que incomoda, faz pensar, irrita, escancara nossa condição de impotência diante de radicalismos altamente periculosos. A sinopse já nos prepara para o que vem no palco:

Benjamim (Taiguara Chagas, ótimo como sempre), um colegial, começa a se interessar por religião e acaba virando um extremista cristão, obcecado pela Bíblia, o que vai influenciar sua relação em casa com a mãe (Ana Andreatta) e na escola com os colegas (sobretudo uma garota – papel de Júlia Novaes – supostamente interessada nele para namorar e um menino ingênuo e deficiente físico, que todos tratam como ‘retardado’ – o expressivo João Paulo Bienemann), além de um casal de professores (Georgina Castro e Tuna Serzedello), que se divide na forma como encarar o menino-problema e acaba envolvendo nisso também o diretor da escola (Carlos Morelli). Até um padre está na história (Edu Guimarães), tão perdido quanto todos os outros. Tudo começa porque Benjamim se recusa a ir à aula de natação do colégio, pois são aulas mistas e isso ofenderia seus princípios religiosos. Tanto ele faz que o diretor decide que as meninas não podem mais frequentar a piscina de biquíni, só com maiôs inteiros. E Benjamim começa a se isolar dos colegas, revoltados com ele.

martir cia arthur arnaldo 2

O texto é ardiloso, explosivo. Vai armando as situações e enredando os personagens em uma série de conotações dúbias, palavras equivocadas e supostas ‘verdades’ absolutas. Quanto mais se fala, mais se confunde. Quanto mais as pessoas se aproximam de Benjamim, mais elas se enredam, sem querer, e se comprometem. O único personagem, ao final, que poderia esclarecer as coisas é justamente o menino que todos consideram bobo e débil. Grande sacada do autor.

martir cia arthur arnaldo 8

A mãe não consegue entender a lógica do filho, faz suposições também erradas, briga com ele em casa, mas na escola age como toda mãe, que não admite que falem mal de seus rebentos. Muito coerente. O diretor da escola tem um discurso autoritário e, ao mesmo tempo, se trai ao assediar constantemente a professora atormentada por não conseguir mais lidar com seu aluno radical, tornando-se ela própria uma radicalista do outro lado da ‘trincheira’.

martir cia arthur arnaldo 4

Enfim, são figuras realmente muito bem construídas pela dramaturgia – e defendidas com bastante talento pelo elenco (Ana Andreatta, Carlos Morelli, Edu Guimarães, Georgina Castro, João Paulo Bienemann, Júlia Novaes, Taiguara Chagas e Tuna Serzedello), um afinado grupo – alguns são atores convidados – que dá conta muito bem das transformações e tormentos por que passam todos os personagens. Ponto para a diretora Soledad Yunge, que tirou o melhor de cada ator e realizou uma encenação limpa, ágil e fluente, que sabiamente valoriza os embates do texto, com seus diálogos cortantes, sem ofuscá-los com truques mirabolantes de encenação. Cenografia, figurinos e iluminação, a cargo do sempre impecável Rafael Souza, contribuem para a objetividade e a funcionalidade, trunfos importantes para o ritmo da montagem.

martir cia arthur arnaldo 3

Altamente recomendável para escolas de ensino médio. Repare nos trechos das aulas de educação sexual (com a professora querendo ensinar os alunos a usar camisinha) e a questão da teoria da evolução de Darwin (a polêmica macacos x religião). São bem escritas e dirigidas, com potencial para debates com os alunos em classe. Mártir merece toda a atenção dos educadores, professores e coordenadores de escola.

 martir cia arthur arnaldo 7




Escrito por Tuna Serzedello às 12h46
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‘Mártir’ provoca a juventude
sobre intolerância atual

Dramaturgia explosiva de autor alemão é trunfo da nova montagem da Cia Arthur-Arnaldo,
há dez anos especializada em teatro para e sobre jovens

martir cia arthur arnaldo 1 

Dib Carneiro Neto
8 de dezembro de 2017

Em momentos de crise social e política, o que se costuma esperar do teatro é que contribua para pensamentos e reflexões, como espelho de nossas mazelas e feridas mais prementes. Vivemos um tempo assim. Redes sociais polarizadas, parente brigando com parente, intolerâncias generalizadas, manipulações maniqueístas, ondas de conservadorismo retrógrado – socorro, parem o mundo que eu quero descer!

Eis que um grupo paulistano, Cia Arthur-Arnaldo, há dez anos especializado em espetáculos prioritariamente voltados para o público jovem, sempre com temáticas relacionadas a essa fase conturbada da adolescência e a descoberta do mundo adulto (DNA, Rolê, Coro dos Maus Alunos, Os Pés Murchos X Os Cabeças de Bagre, Feizbuk, Cidadania, Bate Papo), nos brinda neste final de ano com a montagem de Mártir, texto potente de Marius Von Mayenburg (brilhantemente traduzido por Christine Röhrig), um dos principais nomes do teatro alemão contemporâneo.

martir cia arthur arnaldo 5

Mesmo escrito na Alemanha em 2012, Mártir fala muito sobre o estado de ânimo do Brasil de hoje, e nos acerta na boca do estômago. É teatro que incomoda, faz pensar, irrita, escancara nossa condição de impotência diante de radicalismos altamente periculosos. A sinopse já nos prepara para o que vem no palco:

Benjamim (Taiguara Chagas, ótimo como sempre), um colegial, começa a se interessar por religião e acaba virando um extremista cristão, obcecado pela Bíblia, o que vai influenciar sua relação em casa com a mãe (Ana Andreatta) e na escola com os colegas (sobretudo uma garota – papel de Júlia Novaes – supostamente interessada nele para namorar e um menino ingênuo e deficiente físico, que todos tratam como ‘retardado’ – o expressivo João Paulo Bienemann), além de um casal de professores (Georgina Castro e Tuna Serzedello), que se divide na forma como encarar o menino-problema e acaba envolvendo nisso também o diretor da escola (Carlos Morelli). Até um padre está na história (Edu Guimarães), tão perdido quanto todos os outros. Tudo começa porque Benjamim se recusa a ir à aula de natação do colégio, pois são aulas mistas e isso ofenderia seus princípios religiosos. Tanto ele faz que o diretor decide que as meninas não podem mais frequentar a piscina de biquíni, só com maiôs inteiros. E Benjamim começa a se isolar dos colegas, revoltados com ele.

martir cia arthur arnaldo 2

O texto é ardiloso, explosivo. Vai armando as situações e enredando os personagens em uma série de conotações dúbias, palavras equivocadas e supostas ‘verdades’ absolutas. Quanto mais se fala, mais se confunde. Quanto mais as pessoas se aproximam de Benjamim, mais elas se enredam, sem querer, e se comprometem. O único personagem, ao final, que poderia esclarecer as coisas é justamente o menino que todos consideram bobo e débil. Grande sacada do autor.

martir cia arthur arnaldo 8

A mãe não consegue entender a lógica do filho, faz suposições também erradas, briga com ele em casa, mas na escola age como toda mãe, que não admite que falem mal de seus rebentos. Muito coerente. O diretor da escola tem um discurso autoritário e, ao mesmo tempo, se trai ao assediar constantemente a professora atormentada por não conseguir mais lidar com seu aluno radical, tornando-se ela própria uma radicalista do outro lado da ‘trincheira’.

martir cia arthur arnaldo 4

Enfim, são figuras realmente muito bem construídas pela dramaturgia – e defendidas com bastante talento pelo elenco (Ana Andreatta, Carlos Morelli, Edu Guimarães, Georgina Castro, João Paulo Bienemann, Júlia Novaes, Taiguara Chagas e Tuna Serzedello), um afinado grupo – alguns são atores convidados – que dá conta muito bem das transformações e tormentos por que passam todos os personagens. Ponto para a diretora Soledad Yunge, que tirou o melhor de cada ator e realizou uma encenação limpa, ágil e fluente, que sabiamente valoriza os embates do texto, com seus diálogos cortantes, sem ofuscá-los com truques mirabolantes de encenação. Cenografia, figurinos e iluminação, a cargo do sempre impecável Rafael Souza, contribuem para a objetividade e a funcionalidade, trunfos importantes para o ritmo da montagem.

martir cia arthur arnaldo 3

Altamente recomendável para escolas de ensino médio. Repare nos trechos das aulas de educação sexual (com a professora querendo ensinar os alunos a usar camisinha) e a questão da teoria da evolução de Darwin (a polêmica macacos x religião). São bem escritas e dirigidas, com potencial para debates com os alunos em classe. Mártir merece toda a atenção dos educadores, professores e coordenadores de escola.

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Escrito por Tuna Serzedello às 12h44
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“MÁRTIR” TRAZ FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO EM MAIS UMA TEMPORADA NO TEATRO CALCIDA BECKER



Escrito por Tuna Serzedello às 12h43
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